‘Professora de Magé faz hamburgada do bem que causa sucesso na internet

Fonte: G1

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Impressionada por alunos nunca terem provado hambúrguer, a professora fez um lanche com os estudantes. Professora ensinava a letra H para os alunos quando fez a descoberta.

professora Ludmila Cruzal fez de uma de suas aulas um sucesso gastronômico e da internet. Ao introduzir a letra H, de hambúrger, para alunos de 5 anos Creche Municipal José de Oliveira Telles, na cidade de Magé, na Região Metropolitana do Rio, ela se surpreendeu ao perceber que muitos estudantes nunca haviam comido a iguaria.

Diante disso, a aula ganhou sabor e os pequenos experimentaram a refeição pela primeira vez, dentro da sala de aula, com todos os alimentos levados pela professora. O post no qual ela conta a aventura do ensino da letra H contava com mais de 180 mil curtidas e mais de 44.308 compartilhamentos em uma rede social até a manhã desta segunda-feira (14).

“Eu estava dando as letras do alfabeto. Mas eu não apresento as letras soltas. Coloco dentro de um contexto, de alguma palavra que eles queiram aprender”, explicou a professora.

Ao ensinar a letra H, ela perguntou aos pequenos sobre qual palavra eles gostariam de aprender mais: hipopótamo, hospital ou hambúrger. A escolha pelo sanduíche foi imediata e uma das crianças contou que, nas férias, foi ao shopping e comeu um lanche com a madrinha. A aventura fascinou os colegas. Mas a surpresa da professora foi perguntar quem gostava de hambúrger: poucos, em uma turma de 16 alunos, levantaram as mãos. Questionados se não gostavam de hambúrger, os alunos confessaram que nunca haviam experimentado: “Tia, eu nunca comi, mas já sonhei que comia”, ouviu Ludmila de um deles.

A professora conta que se segurou para não chorar na frente da turminha. “Respira, engole o choro e refletir é inevitável. Algo tão simples para tantos, tão frequente para muitos que chega ser utópico acreditar que eles nunca comeram”, contou Ludmila em uma rede social. Naquele dia, ela decidiu fazer hambúrger para os alunos, dentro do contexto da aula.

Ludmila pediu autorização à direção da escola e às nutricionistas responsáveis pela merenda e foi à luta. Porém, a vida da professora de 33 anos também não é fácil: para dar asas à iniciativa, ela, que leciona em duas escolas – a Creche Municipal José de Oliveira Telles, que é pública, e outra, que é privada – teve que esperar o salário cair na conta para comprar os ingredientes. Viúva há dois anos depois que o marido sofreu um acidente de moto, ela cria as duas filhas pequenas sozinha. Mas quando o dinheiro caiu na conta, Ludmila colocou mãos à obra.

“Era fim de mês e eu não tinha condições mesmo de comprar. Esperei o pagamento cair para poder organizar legal e levar fresquinho. Eu não gastei muito. Foi pãozinho, alface, ketchup, maionese”, contou a professora, que levou um grill para a escola para que as crianças participassem da confecção dos hambúrgueres e aprendessem sobre a palavra.

Pães usados para montar com os alunos os sanduíches que foram servidos em sala de aula. (Foto: Divulgação/ Ludmila Cruzal)

Pães usados para montar com os alunos os sanduíches que foram servidos em sala de aula. (Foto: Divulgação/ Ludmila Cruzal)

Ludmila contou que a postagem da atividade disfarçada de brincadeira e lanche nas redes sociais teve como objetivo promover uma reflexão sobre a desigualdade, sobre como algumas crianças têm tudo e outras nem conhecem coisas e alimentos que são considerados básicos por muitos.

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